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Trauma, 2018

Gilson Rodrigues, 

Olá, como está? Quando conversei com você, pela primeira vez, há algum tempo, você indicou que o processo dessa sua exposição implicava em um pequeno percurso. Por aqui, tínhamos mudança na estrutura da galeria, aí você entrou para galeria. Houve mudança sua para outra cidade, conte-nos um pouco desse processo… 

Os trabalhos que apresento na dotart começaram a ser gestados no início de 2017. Quando me mudei para São Paulo, tive que enfrentar dois desafios. O primeiro foi lidar como os diversos estímulos que a cidade me apresentou. E o segundo descobrir um desdobramento do trabalho, sendo fiel as minhas inquietações e interesses. Já estava há algum tempo em busca de novas maneiras de lidar com a pintura. 

1- Como um bom pintor, você consegue expressar tudo na sua tela de forma estruturada (o espectador percebe essa totalidade rapidamente), nela vê-se referências de uma pintura acadêmica europeia, constituída. Como justifica essas suas referências? São necessárias? No meu ponto de vista, você tem um caminho próprio na pintura, precisa dessas referências? 

Muito se fala de uma metabolização da pintura por parte dos artistas que trabalham hoje com esta linguagem. Durante muito tempo me opus a este pensamento, mas agora percebo que é impossível desassociar o que se produz hoje de tudo o que foi realizado em pintura, e isso inclui a pintura europeia. No entanto, as referências a pintura acadêmica (não só europeia) que emergem em alguns dos meus trabalhos, estão muito mais ligadas as estampas presentes em uma infinidade de objetos que decoram os ambientes domésticos. É muito comum, por exemplo, encontrar em jogos de chá cenas galantes do francês Jean Honoré Fragonard (1732-1806). Me interessa pesquisar e repensar tais estampas e suas possíveis leituras desassociadas do ambiente artístico. Entretanto este é apenas um dos meus interesses/motivações para pintar. As obras que apresento agora na exposição TRAUMA, partem muito mais de uma questão formalista que nasceu após a construção das esculturas com bandejas. 

2 – Gilson, o que você vê hoje e vislumbra no futuro que, de alguma forma, impressiona e inspira sua pintura? 

Me interesso bastante pelo fazer pictórico. Pesquisar as diversas maneiras de construir imagens em pintura sempre me despertou curiosidade. Gosto de artistas que criam seus próprios universos e que o trabalho esta ligado a uma “banalidade”, como Morandi, Lorenzato, Euan Uglow entre tantos outros. Procuro ser bastante sincero com meu trabalho, não busco motivações externas para realizar minhas pesquisas. Também não sou romântico a ponto de fechar os olhos para tudo que me cerca. No entanto prefiro falar de coisas simples, que chamam minha atenção. 

3 – Quais foram os momentos mais importantes de sua formação? Quanto tempo você se dedica a cada obra? E quando tem certeza que cada uma está totalmente pronta? 

Sou bastante grato a todos os professores/artistas que encontrei ao longo de minha formação. Muito do que sei hoje foi construído no ambiente acadêmico que me deu ferramentas para estruturar minha poética. Porém, acredito ser mais interessante falar em lucidez diante de tudo que cerca a produção artística hoje, isso sim é algo relevante. Para nós artistas é de extrema importância entender todas as esferas que envolvem a lógica de construção, exibição e manutenção de uma obra. 

Meu processo é bem livre. No entanto algumas referências e operações são cíclicas e vez ou outra resurgem nos trabalhos. Geralmente procuro fazer um esboço, uso muito registros que produzo no ateliê e também o photoshop. Ao longo do processo vou incorporando os “erros” e acidentes intrínsecos ao ato de pintar. Um trabalho pode demorar um dia ou mais de um mês para ficar pronto. Sinto que uma obra esta acabada quando percebo um equilíbrio ou mesmo uma potência suscitada pela imagem.