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A obra, 2015

PROCESSOS A Residência do Centro Cultural UFMG e o Ateliê Expandido 

A cidade de Belo Horizonte ocupa um espaço de destaque no campo das manifestações artísticas. Apesar do inquestionável valor das obras de seus artistas, existe uma enorme dificuldade para produção de visibilidade para os mesmos. As grandes coleções reunidas, com exemplares de relevância nacional e internacional, são relegadas ao esquecimento em reservas técnicas das instituições. Observa-se nisto uma ausência de compromisso do poder público e o desinteresse em possibilitar o acesso às obras de diversos artistas como Portinari, Vik Muniz, Leon Ferrari, Di Cavalcanti, dentre outros. Se obras de artistas desta envergadura passam pela situação de invisibilidade, não é difícil imaginar a falta de respaldo que sofrerão os artistas atualmente no início de seus percursos. Sensíveis a essas considerações o Centro Cultural UFMG criou sua “Residência Artística”. Selecionados por meio de edital, os artistas têm a possibilidade de ocupar um ateliê no espaço. A continuidade do processo vem com o aceite por parte dos residentes, em criarem suas obras com intervenção do público em uma exposição-processo. A exposição-processo é transformada em um laboratório onde inexiste uma obra acabada. Subverte-se o conceito tradicional de exposição, geralmente apresentada como fechada, acabada e intocável. 

Gilson Rodrigues traz em sua pintura a observação atenta dos objetos do mundo cotidiano, e sua capacidade icônica de incorporação à pintura. Canecas, xícaras, colheres que ao serem mescladas à paisagem, realizam um deslocamento de sentido e conferem à mistura de elementos um caráter onírico. O tom decorativo resultante dessas misturas eleva o valor da poética do artista. 

Rigor transformado em métrica é a opção de Czaro. O universo dos padrões, das formas em repetição que tensionam o espaço das molduras. A constituição dos elementos mínimos da pintura tende a se expandir ao infinito. Que força exerce a cor sobre o domínio da forma plástica? A forma vem como delimitação da cor ou como ampliação de suas variáveis? Essa é uma das questões que podem ser facilmente observáveis no trabalho do artista. 

Caixas de madeira, malas antigas, objetos carregados da memória do outro e do peso trazido pelo descarte. Leonardo organiza esses universos construindo outros possíveis e im possíveis que requerem do fruidor um esforço especulativo. A dificuldade reside em definir se a obra é o conjunto de objetos ou se ela permite uma separação em estruturas autônomas. Talvez não seja o momento de definição. 

Como demarcar o gesto que finaliza o trabalho de um artista? Qual o traço ou ponto capaz de explicitá-lo? Ao visitar a obra de Narowe essas questões se materializam. Uma mesa como ofício desse “fazedor de imagens” não é suficiente para concentrar seu trabalho. O suporte é um agente, não um delimitador. É necessário o chão, a parede e todos os espaços disponíveis. Parece um “horror ao vácuo”, que produz um mundo em que as imagens interagem criando um hibridismo, como se a porta de entrada se abrisse a todas elas. É no interior desse universo que se funda o desejo ou a necessidade de produzir imagens. 

O presente texto deve também ser lido como um texto-processo. Tateando em referências, aproximando-se do vazio e ensaiando o próprio gesto de escrever. 

 

Rodrigo Vivas / 2015