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Dominó, 2019

A exposição Dominó é um exercício experimental, realizado de forma colaborativa como um desdobramento do convívio e do diálogo de 14 artistas que se conheceram em um período de residência no Pivô Pesquisa1, entre janeiro e abril de 2019. Adrián Bará, Anna Costa e Silva, Carolina Cordeiro, Carolina Marostica, Deco Adjiman, Gilson Rodrigues, Leandra Espírito Santo, Leandro Muniz, Maya Weishof, Raquel Sena, Renan Marcondes, Rui Dias Monteiro, Tomaz Klotzel e Vanessa da Silva construíram uma rede de trocas de referências e de experiências para suas práticas, gerando um circuito de afeto que os manteve em contato desde então.

A maior parte dos trabalhos apresentados agora na Casa da Luz é decorrente de pesquisas iniciadas ou desenvolvidas durante a residência e a exposição é pautada pela vontade de estender a interlocução do ateliê compartilhado para outros projetos e espaços. Portanto, essa exposição não é marcada por uma única narrativa e não defende uma ideia que arrisque conectar todas as obras a partir de um eixo conceitual, ela é antes um exercício de coexistência e em certa medida uma extensão do ateliê para o espaço expositivo. Não por acaso, o espaço que abriga esse projeto é uma casa e não uma galeria convencional com ângulos abertos e paredes brancas onde provavelmente seria menos interessante e mais difícil encontrar um espaço de acolhimento para cada trabalho. Os corredores, as passagens ocultadas, as grandes janelas e as vigas aparentes do casarão foram elementos que receberam bem as obras em suas particularidades.

A exposição, assim, foi pensada como um jogo de dominó em que cada um coloca sua peça e uma peça leva a outra, num movimento contínuo produzindo ao final uma forma imprevisível. O processo aconteceu de forma colaborativa, com todo o grupo acompanhando a decisão de cada um sobre as obras que integrariam a exposição e em seguida na montagem e divulgação do projeto.

Um elemento impulsiona a ação do outro e aqui um círculo virtuoso foi gerado. Esse exercício pensado como um jogo, não e sua conotação de passatempo, mas como tempo investido na convivência, no estar junto. Cada um coloca a sua peça, mas é preciso que todos participem para que a dinâmica aconteça. Dominó não dá pra jogar sozinho.

Camila Bechelany